Itamar Vieira Junior realiza oficina criativa na Balada Literária

Itamar Vieira Junior realiza oficina criativa na Balada Literária

A Balada Literária promove a oficina Escrever é Estar Vivo: Introdução à escrita criativa (conto e romance), com o premiado escritor Itamar Vieira Junior. Serão oito encontros (um por semana), terças-feiras, de 5 de julho até 23 de agosto, via plataforma Zoom, das 19h30 às 21h30. As inscrições começam no dia 1º de junho. Vagas limitadas. Valor da oficina é de R$1200,00 (podendo ser parcelado em 4x no cartão de crédito).

A OFICINA

Escrever é uma arte e toda arte reflete a experiência de estar vivo. Assim, a narrativa literária também pode ser compreendida como uma maneira de recriar o mundo. Este é o mote da oficina ESCREVER É ESTAR VIVO: INTRODUÇÃO À ESCRITA CRIATIVA (CONTO E ROMANCE) voltada para o desenvolvimento do seu projeto literário. Desde a ideia inicial, passando pela leitura atenta de obras contemporâneas consagradas até a prática da escrita, vamos discutir temas como trama, personagens, estilo e revisão.

Ao longo da história, a antropologia tem se mostrado uma grande fonte de inspiração para a arte literária, nos permitindo conhecer e viver as mais diferentes vidas. Inspirado pelos escritos do antropólogo Tim Ingold nos livros “Estar vivo – ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição” e “Antropologia – para que serve?”, o presente curso propõe uma releitura dos principais elementos da narrativa literária sob a perspectiva humanista de seu pensamento, onde a vida se apresenta como uma trama imprevisível. Qual o significado de escrever? O que nos mobiliza a fazê-lo? Podemos compreender um personagem como um devir humano, já que ele se faz e refaz a cada ato e engajamento? O ambiente onde se desenrola a narrativa é apenas um palco ou um personagem prenhe de vontade? Poderíamos compreender a trama como um fluxo chamado linhas de vida? A presente oficina tem como proposta apresentar uma experiência inédita sobre o fazer literário a partir de nossa própria ação no mundo.

O PROFESSOR

Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador (BA), em 1979. É geógrafo e doutor em estudos étnicos e africanos pela UFBA. Seu romance TORTO ARADO, publicado em 2019, venceu o Prêmio Leya, recebeu os prêmios Oceanos e Jabuti e está sendo traduzido para uma dezena de idiomas.

O PROGRAMA 

Escrever é estar vivo (Encontro 1)

Neste tópico será discutido a mobilização da escrita tomando como premissa que estar vivo é peregrinar por linhas de vida. A vida, segundo Ingold, é um movimento em direção ao desfecho final: um preenchimento gradual de capacidades e esgotamento de possibilidades. Podemos compreendê-la a partir de suas quatro fases: produção, história, habitar e linhas de vida. Por analogia, já que a narrativa literária nada mais é que a recriação do mundo, podemos a partir desses conceitos refletir os seus homólogos: criação, personagens, ambiente e trama.

Atividade (Encontro 2)

O participante deve apresentar um texto onde um objeto qualquer, escolhido durante a aula anterior, dará início à sua narrativa.

Personagem são devires (Encontro 3)

Ao repactuar uma nova compreensão sobre a Antropologia, Ingold a propõe como um estudo dos devires humanos conforme desdobrando-se dentro da trama do mundo. Por que devires e não seres humanos? Os sujeitos não são nem sujeitos nem objetos, nem sujeitos-objetos, mas “verbos”. Como “devires”, e não seres, os humanos estão “humanando”, correspondendo-se em reciprocidade. Da mesma forma o personagem não é, ou seja, não está dado absolutamente, mas torna-se ao longo da narrativa. Como devir humano, o personagem torna-se e produz a si e aos coletivos.

Atividade (Encontro 4)

A partir de uma mesma fotografia os participantes devem elaborar um texto literário que revele o perfil de uma personagem.

O ambiente é o mundo-tempo (Encontro 5)

Personagens não estão alheios ao mundo onde se desenrola sua trama de vida. Esse mundo também não é a compreensão da Terra como uma superfície com propriedades físicas imutáveis, onde “todas as coisas estão embrulhadas nelas mesmas, fixadas em seus respectivos lugares, separadas dos movimentos que a trouxeram ali”. Há a necessidade de trazê-la de volta à vida, mas é preciso muito mais que o espaço e o tempo histórico – que por um tempo conferiu um pouco de dinâmica à sua inércia. Segundo Ingold, o mundo é um mundo, não espaço; e o que está acontecendo nele – os processos em suas múltiplas formas são processos de vida, não de tempo. O tempo do “mundo-tempo” (weather-world) se diferencia em termos de significado do tempo histórico. Assume o significado de atmosfera, o conjunto de fenômenos meteorológicos somado aos fluxos vitais que permite transcendência, aproximando-se, talvez, do termo universo. É como se debruçados para compreender a Terra, estivéssemos antes concentrados “nas margens” – e aqui utilizo uma analogia apresentada pelo próprio autor -, e não no “rio”. Se não fosse o fluxo – representado por essa visão estendida do tempo no mundo – não haveria “margens” esculpidas e mutáveis.

Atividade (Encontro 6)

A partir de um pequeno vídeo compartilhado na aula anterior, os participantes devem produzir uma pequena narrativa onde o ambiente possa despontar com protagonismo.

Trama e Linhas de vida (Encontro 7)

A inscrição do tempo, da história, e a percepção do habitar se dão em um fluxo permanente. Esse fluxo, por sua vez, é uma linha. Essa percepção se contrapõe a ideia de uma rede – tão propagada na Teoria Ator-rede de Bruno Latour – adotando a percepção de que os fenômenos se dão em um fio de trilha que juntas compreendem a textura do mundo. Observando a ideia de rizoma – difundida na obra de Deleuze e Guattari para explicar o mundo e seus processos – Ingold destaca a imagem de um micélio fúngico como a mais próxima do que seria esse emaranhado de linhas. O que estamos acostumados a nomear ambiente pode “ser melhor vislumbrado como um domínio de emaranhamento”. Esse emaranhado é o relevo do mundo e como nas ontologias anímicas, o mundo não é ocupado, mas habitado em um ato contínuo de emaranhar-se e desemaranhar-se, tocando caminhos (linhas) de vida. O mundo não é uma superfície inerte sobre a qual os seres vivos movem-se, ou ainda um mundo preenchido com significado ou agência, como um corpo oco que necessita de uma força que esteja além dele mesmo para que viva. Da mesma forma que os seres não são apenas entidades moventes, ao invés de caminhantes através de um mundo que também se move.

Atividade (Encontro 8)

À luz do romance Stoner, de John Williams, os participantes devem elaborar um texto ficcional explicitando a trama de um ou mais personagens, com os fatos mais relevantes de sua história entre o nascimento e a morte.

AS FORMAS DE PAGAMENTO:

À vista pelo Pix – R$ 1.200,00
À vista no boleto bancário – R$1.200,00
À vista no cartão de crédito (1X R$1.200,00)
Em 2 parcelas no cartão de crédito (2x de R$ 600,00)
Em 3 parcelas no cartão de crédito (3X de R$ 400,00)
Em 4 parcelas no cartão de crédito (4X de R$ 300,00)

Deixe um comentário