Balada Literária proporciona emocionante encontro entre autores Amélia Dalomba, Andre Tecedeiro e Fernando Noy

Balada Literária proporciona emocionante encontro entre autores Amélia Dalomba, Andre Tecedeiro e Fernando Noy

No último sábado (12), Marcelino Freire realizou o Toca Literária, para compartilhar com os alunos e as alunas de sua oficina de literatura do primeiro semestre um emocionante bate-papo sobre Literatura. O encontro, transmitido ao vivo no canal do YouTube da Balada Literária, contou com a presença de Amélia Dalomba (Angola), Andre Tecedeiro (Portugal) e Fernando Noy (Argentina). O Toca Literária teve a parceria de Pi Cultural e Carvalhedo Produções.

Durante a conversa, os autores convidados expuseram para o público os seus processos de escrita, além do amor e a vivência que a poesia fornece para cada um deles. Direto de Luanda, Angola, Amélia Dalomba destacou: “A importância de todo esse processo é de que nós vamos fazendo a nossa parte daquilo que fomos talhados para este mundo, que não é nosso. Essa passagem é efêmera. E que nós vamos deixando a nossa marca e, todos nós, naturalmente, em qualquer um dos aspectos da nossa existência cognitiva tem para manifestar, trabalhar, para usar as mãos, usar caneta, usar o cérebro. Cada um de nós quer deixar a sua passagem pelo mundo”.

Em Lisboa, Portugal, Andre Tecedeiro, falou da construção de seu mais recente livro A axila de Egon Schiele: “A minha relação com Egon Schiele, neste caso concreto, foi quando uma vez eu fui falar em uma conferência e o tema era sobre o corpo e sobre o universo LGBT. Eu estava um pouco nervoso com a minha apresentação, a imagem do cartaz da conferência era uma pintura do Egon Schiele, que é um autor que representa muito o seu corpo e o dos outros de uma forma bastante expressionista. Até chegar a minha hora de falar na conferência, eu fiquei demasiadas horas a olhar aquela imagem, um autorretrato de Egon Schiele e que tinha um braço levando, mostrando a axila e o tronco nu. Eu fiquei muito tempo a pensar naquilo, porque o quadro olhava para mim como se estivesse a me desafiar e estava a questionar o meu corpo, sendo que naquele momento saiu um poema e acabou por dar o título ao livro, como se todos os poemas do livro estivessem nas axilas de Egon Schiele.”

De Buenos Aires, Argentina, Fernando Noy, questionado sobre o que ele fazia com as palavras não utilizadas em seus poemas, poetizou: “As palavras descartadas, as palavras deixadas de lado, são partes do fogo da fogueira da próxima criatividade. Porque essas palavras ficam como se fossem uma poupança de ideias para o futuro. Nada morre no infinito criativo da existência. Às vezes se rebelam, saem, e não caem no vazio. Não existe o vazio. Tudo é fogo-futuro”.

O bate-papo na íntegra está disponível no link abaixo. E, nesta semana, a Balada Literária Mês a Mês abrirá as inscrições para nova turma da oficina de literatura com Marcelino Freire, que será realizada no segundo semestre.

AMÉLIA DALOMBA
Amélia Dalomba (Maria Amélia Gomes Barros da Lomba do Amaral (Tichinha), Angolana, natural de Cabinda. Mãe, mulher, avó Estudante.  Radialista, Locutora, redatora e repórter de rádio e jornais. Compositora, artista plástica e autora de literatura Infantil, poesia, prosa e crónicas. Tem poemas traduzidos para Francês, Inglês e Sueco. Recebeu a Ordem do Vulcão de primeiro grau da República de Cabo verde.

FERNANDO NOY
É poeta , performer, ator, cantor, escritor, dramaturgo, letrista, artista e performer. Sua obra foi traduzida para vários idiomas, e é destaque em antologias poéticas ao lado de grandes poetas de todo o mundo. Publica em diversos meios de comunicação e revistas culturais do país, como Clarín e La Nación.

ANDRE TECEDEIRO
Nasceu em Santarém em 1979 e viveu em Portalegre até 1997. Vive e trabalha em Lisboa. Artista plástico, realizou mais de cinco dezenas de exposições. Os seus poemas, agora reunidos, foram publicados nos livros ‘Rebento-Ladrão’ (Tea for One, 2014), ‘Deitar a Trazer’ (Douda Correria, 2016), ‘O Número de Strahler’ (Do Lado Esquerdo, 2018), ‘A Arte da Fuga’ (Do Lado Esquerdo, 2019) e ‘Axila de Egon Schiele’ (Porto, 2020).

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